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listen to episode 1 of the Ask a Manager podcast

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I’m excited to announce today’s launch of the Ask a Manager podcast, from Anchor FM and Penguin Random House.

You can listen to the first episode right now on Apple Podcasts, Google Play, or Anchor FM. Please subscribe! (Those links will take you straight to it.)

Each week, I’ll bring letter-writers on the show to talk directly with me about their work predicaments. A cool thing about this format is that it lets me ask clarifying questions and talk through the advice with the question-asker to make sure it really works for them — and as listeners, you can hear how that plays out. We’ll also sometimes go more in-depth on some of the letters from the blog. Most episodes will be around 15 minutes.

In this week’s episode, titled The Friend Boss, I talk with a letter-writer whose good friend at work is becoming her boss.

If you have a question that you’d like to discuss with me on the podcast, please send it to podcast@askamanager.org. (Note that if I don’t use your question on the show, I may use it here instead … so if you only want it used on the podcast, please note that in your email.)

listen to episode 1 of the Ask a Manager podcast was originally published by Alison Green on Ask a Manager.

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iaravps
2 days ago
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>>> um dos meus blogs favoritos virou podcast!
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Didn’t Get the Job

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Didn't Get the Job

And more interviews.

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iaravps
2 days ago
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Oh well
Rio de Janeiro, Brasil
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Quem está invadindo quem? A complexa batalha nos assentamentos informais do Rio em área federal

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Representar os moradores de favela como invasores destruidores do meio ambiente serve para justificar despejos e prejudicar o patrimônio da comunidade em nome da criação de uma cidade “moderna” sem fortes sinais de pobreza e desigualdade, escreve Jennifer Chisholm (University of Cambridge).

As favelas, ou assentamentos informais, do Rio de Janeiro sempre foram uma das características mais marcantes da cidade. As favelas passaram por períodos de tolerância zero e remoções em massa, mas também por períodos em que a cidade procurou incorporá-las às partes mais formais da cidade.

Atualmente, a cidade tem feito um pouco de ambos. Enquanto algumas favelas têm recebido melhorias urbanas através de programas governamentais, outras têm sido marcadas pelas remoções. As justificativas favoritas do governo para essas remoções são de que as favelas estão ocupando ilegalmente a terra e / ou que estão destruindo o meio ambiente. No entanto, em alguns casos, as favelas são substituídas por condomínios de luxo, sugerindo que as remoções são mais sobre limpeza social do que sobre preservação ambiental.

Os residentes relembram às autoridades de que Horto foi estabelecido há mais de 200 anos (Joana Diniz, Midia Ninja, CC BY-NC-SA 2.0)

As favelas localizadas em áreas privadas têm a possibilidade de solicitar o usucapião, ou “direito de posse”, tornando-as elegíveis para a titularização da terra. No entanto, as favelas em terras públicas só podem obter o direito de uso da terra, mas, não de possuí-la – tornando-as possivelmente mais vulneráveis às remoções. Além disso, as reivindicações de degradação ambiental são especialmente problemáticas para favelas em terras de propriedade federal, pois estas são muitas vezes reservas naturais protegidas.

Num esforço para salvar suas comunidades, ativistas das favelas afetadas pelas remoções têm tentado subverter a narrativa de favelas invasoras, destrutivas por meio da divulgação de contra-narrativas da existência de comunidades antigas que coexistem harmoniosamente com o meio ambiente. Deste ponto de vista, o governo é o verdadeiro invasor.

Situado ao lado do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, uma instituição federal, o Horto (“jardim” em portugués) é um assentamento informal de famílias descendentes de trabalhadores do Jardim que estão atualmente engajados na luta pelo direito de permanecer em suas casas. Esta comunidade fica em um local ocupado desde a era colonial, mas que hoje se encontra envolto em uma luta por direitos pela terra e habitação.

Um crítico verbal do Horto, Sérgio Besserman, presidente do Instituto Federal de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, tem como intuito avançar sobre as terras atualmente ocupadas pelo Horto, prevendo a expansão das instalações do Instituto após o despejo dos moradores.

Durante o meu trabalho de campo na comunidade, os residentes fizeram relatos sobre a época de seus avós e bisavós, quando o Jardim Botânico deu permissão aos trabalhadores para ocupar a terra e construir suas próprias casas nas proximidades. A maioria desses trabalhadores e suas famílias só receberam permissão verbal para ocupar a terra, que naquela época os moradores consideravam um compromisso confiável.

Infelizmente, essa falta de documentação complicou a vida das famílias do Horto. Mais de 215 famílias receberam avisos de despejo, enquanto outras já foram despejadas e suas casas destruídas. Uma vez que boa parte do Horto está localizada em terras federais, muitas famílias não conseguem solicitar o usucapião. Em vez disso, os residentes e ativistas comunitários estão usando todos os recursos possíveis para resistir à remoção: desde solicitar o apoio de políticos e juízes simpatizantes, até simplesmente reforçar os laços comunitários através de projetos sociais como oficinas de fotografia e dança.

Situada a cerca de duas horas e meia dali, na parte ocidental do Rio, está Araçatiba, uma favela calma, cercada por uma reserva de manguezais. No final da década de 1970, o conglomerado de mídia Globo começou a filmar um programa de televisão infantil na área, levando a formação de um novo assentamento informal, próximo a estrada principal onde atualmente está localizada Araçatiba. Até 2006, a área pertencia aos militares, mas depois passou para o governo federal, que iniciou o registro das construções existentes em Araçatiba, em 2012.

Em 2014, a favela recebeu notificações de despejo do governo, acusando os moradores de invadir e pôr em perigo a reserva de manguezais. Poucos dias depois, uma força-tarefa chegou a comunidade para remover as casas, levando a um impasse de quinze horas envolvendo os moradores. Dois anos depois, em dezembro de 2016, o governo da cidade notificou os moradores de que quaisquer habitações construídas após 2012 eram ilegais e que nenhuma construção adicional poderia ocorrer, sob a ameaça de demolição, deixando essas casas incompletas, ainda que habitadas.

Na comunidade do Horto a questão de quem está invadindo quem tornou-se central (Midia NinjaCC BY-SA 2.0)

Acusações de invasão são especialmente prejudiciais para assentamentos informais como Horto e Araçatiba que estão localizadas no entorno de reservas naturais.

Como tal, um grupo de moradores de Araçatiba tentou recentemente conscientizar sobre as ameaças de despejo iminente, ao mesmo tempo que preparava seu caso contra acusações governamentais de invasão e danos ambientais. Além de colecionar documentos relevantes, os residentes estão planejando criar uma área de lazer ecológica e um horta orgânica. Esses projetos sociais pretendem melhorar a vida comunitária, mas também servirão como prova tangível do compromisso de Araçatiba com o meio ambiente e uma refutação da narrativa governamental de “favela destrutiva”.

Os residentes de Horto também se esforçaram para demonstrar sua preocupação com o meio ambiente, como eles se vêem como protetores ambientais natos. Um morador organiza projetos de reflorestamento com crianças para ensinar sobre a flora local, enquanto a Comissão de Moradores do Horto executa trabalhos de reciclagem semanalmente.

Mas Horto, Araçatiba e outras favelas em situação semelhante continuam a ser comparadas a uma espécie invasora e destrutiva por aqueles que procuram a sua remoção. Comunidades desenvolvidas de forma orgánica – e toleradas – há gerações, de repente estão sujeitas às remoções, despertando a questão de quem realmente está invadindo quem.

Existem inúmeras motivações possíveis para descrever os moradores da favela como invasores nocivos ao meio ambiente. Por um lado, se o público acredita que os moradores de favela invadiram e estão destruindo a terra em que vivem, os pedidos de despejo se tornam mais justificáveis, mesmo na mente dos próprios moradores da favela. As acusações de invasão também minimizam qualquer senso de herança que essas comunidades têm promovido, reformando as favelas como lugares sem história e, portanto, dignos de despejo.

As acusações de invasão podem ser vistas como parte de esforços maiores para recuperar o controle dessas terras públicas, no sentido de as “reterritorializar“. Além do desejo de não deixar parte do Rio fora do controle do governo, a reterritorialização – e as consequências das remoções de favelas – também é impulsionada pelo desejo de “modernizar” a cidade e apagar todo o vestígio da pobreza que caracteriza um país em desenvolvimento e, em particular, a desigualdades que definem o Brasil.

A preocupação governamental pela conservação de suas áreas naturais é compreensível, mas o uso da proteção ambiental como meio de minar o direito à habitação não é. Em vez de difamar assentamentos informais, classificando-os como invasões ilegais, o Estado poderia, em vez disso, buscar uma solução que assegure também que o direito à moradia dessas comunidades seja respeitado.

A cidade do Rio pode se dar ao luxo de expulsar essas famílias, mas está fazendo isso em um momento em que o estado do Rio de Janeiro está sofrendo uma grave crise econômica. Uma solução mais econômica e sustentável – e preferida pelos próprios moradores – representaría uma economía para a cidade com os custos envolvendo as remoções, o que permitiría que as comunidades permanecessem forjando relacionamentos mais respeitosos.

Um primeiro passo em direção a um caminho mais construtivo seria acabar com a estigmatização das favelas e de seus moradores como invasores.

Notas:
• As ideias expressas neste artigo são dos autores e não refletem a posição do Centro ou da LSE
• Tradução de Luciana Mendes Barbosa (Lancaster University)
• Por favor, leia nossas Políticas de Uso (EN) antes de fazer comentários


Jennifer Chisholm – University of Cambridge
Jennifer Chisholm está no terceiro ano do seu doutorado no Departamento de Sociologia da Universidade de Cambridge e é pesquisadora visitante na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. No Rio, ela está pesquisando como as favelas dentro e no entorno de reservas naturais formulam estratégias contra as remoções. Seu ultimo artigo foi “Forced Evictions and Black-Indigenous Land Rights in the Marvelous City” (Brasiliana: Journal for Brazilian Studies, 2016).

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iaravps
3 days ago
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Rio de Janeiro, Brasil
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Chega dessa babaquice de assediar bibliotecárias

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[do original #TimesUp on Harassing Your Public Librarian, de Katie MacBride. Livre tradução de Dora e Branca]

Bibliotecárias lidam diariamente com assédio sexual em seus locais de trabalho.

O homem em frente ao balcão de referência pediu uma senha de acesso aos computadores e depois se inclinou para a frente com segundas intenções: “Você já viu o Jornada nas Estrelas original?

Imprimi a senha e sacudi a cabeça. “Não. Você está procurando os DVDs?”

“Não”, disse ele. “Você é idêntica a uma atriz da série que apareceu na lista das “Mulheres mais bonitas de Jornada nas Estrelas’! Você é a cara dela!”

Ele começou a me olhar com cobiça, com uma intimidade atípica. Tinha um olhar esquisito de tiozão, aparentando ter quase 60 anos.

Lidar com perguntas desconfortáveis dos usuários é muito comum para mim e para a maioria das bibliotecárias que lidam com o público. Decidi que a melhor estratégia seria um breve aceno (reconhecer que você ouviu o comentário para que ele não se repita) e um curto, “OK, existe algo na biblioteca que posso ajudá-lo a encontrar?”

Não havia. Ele caminhou até os terminais de consulta e eu teria esquecido a interação se ele não tivesse reaparecido alguns minutos depois.

“Você pode me ajudar a imprimir uma coisa?”

Assenti com a cabeça e o acompanhei de volta para o computador. Na tela havia uma foto de uma atriz loira e uma descrição feita pelo autor da “Lista das mais gostosas”. Lia-se, em parte, “A melhor parte dela é a fantasia sexual de ‘Eu não conheço as sensações humanas. Por favor, me ensine a beijar, abraçar, [insira aqui o ato sexual depravado]’. Oh, sim, por favor!”

O usuário olha excitadamente da tela para mim.

“Veja! Você parece exatamente com ela!”

Dei de ombros.

“Bem, eu quero imprimir essa foto dela”. Ele insistiu. “Vocês tem uma impressora a cores?”

Nós tínhamos. Mostrei-lhe como ampliar e imprimir a imagem. Ele deixou a biblioteca pouco depois, acenando a foto para mim e piscando antes de sair.

Quando o movimento #TimesUp surgiu (Time’s Up é um movimento contra o assédio sexual fundado por celebridades de Hollywood), fiquei satisfeita ao ver o foco no setor de serviços, onde parte significativa do trabalho é ser simpática e estar disponível para clientes e usuários. Porque a verdade é que toda mulher/feminina/cis/trans/bibliotecária tem dezenas de histórias como esta; incômodas, mas inofensivas interações de assédio. Nós reviramos os olhos na sala de funcionários, reclamamos a nossos amigos e pessoas próximas depois de ofensas particularmente flagrantes, mas tendemos a considerar essas ofensas como uma parte infeliz porém inevitável do trabalho. Uma das minhas ex-colegas descreveu perfeitamente o assédio na biblioteca como: “Eu apenas me lembro do sentimento ruim de ser um público cativo”. Afinal, o assédio sexual é sobre poder e vulnerabilidade e um público cativo – como a bibliotecária que não pode se recusar a mostrar ao homem como usar uma impressora – é um público vulnerável.

Muitas vezes, discussões sobre o assédio sexual no local de trabalho focam nas interações entre funcionários e supervisores. Há uma boa razão para isso; os supervisores têm influência, quando não têm o controle total, sobre quem é contratado e demitido. Quando se trabalha no setor de serviços, no entanto, manter o cliente satisfeito costuma ser tão importante quanto manter o chefe feliz. O funcionário que não ri da piada do cliente ou se ofende quando perguntado sobre sua vida amorosa é vulnerável a queixas à gerência. As pessoas que não trabalham em setores de serviços podem se surpreender com a rapidez com que não rir de uma piada sobre a aparência de seu uniforme, segundo a vontade do cliente, pode se transformar em queixas ao seu gerente sobre seu mau comportamento; ou como rejeitar um convite para sair pode se transformar em falsas alegações sobre seu suposto terrível desempenho no trabalho.

Normalmente, essas interações ocorrem dentro de uma janela de tempo limitada. Você serve um jantar para o seu assediador, ele faz comentários inapropriados, mas depois, inevitavelmente, vai embora. Mas e se o usuário nunca precisasse ir embora? E se alguém pudesse entrar no seu local de trabalho, fazer-lhe quantas perguntas quisesse sobre praticamente qualquer assunto, desde o momento em que as portas se abrem de manhã até fecharem à noite?

Funcionárias de bibliotecas públicas são profundamente comprometidas com o acesso. Acreditamos que a biblioteca deve ser aberta a todos e queremos que os usuários se sintam confortáveis ao pedir informações sobre quase qualquer coisa. Você quer informações sobre doenças sexualmente transmissíveis? Sem problemas. Livros sobre sexo tântrico? Por aqui. Nós permanecemos dispostas, amigáveis e acessíveis porque queremos que vocês saibam que não julgamos suas necessidades de informação.

Mas isso também faz do nosso trabalho um terreno fértil para o assédio sexual. Tecnicamente, não há motivo para que um usuário não possa sentar-se em uma mesa vazia e olhar para a bibliotecária o dia todo, pedir ajuda para configurar um perfil de namoro online ou imprimir material explícito. Em muitos casos, não há nada de errado com o comportamento mencionado acima e é isso o que dificulta as coisas. Os bibliotecários resguardam fanaticamente o direito dos usuários de fazerem de tudo, o que torna o assédio sexual tão recorrente nas bibliotecas públicas – até o ponto em que isso se torna um abuso.

Existe um caráter de gênero para o assédio sexual em bibliotecas que é impossível ignorar. Em 2015, a categoria de bibliotecários era composta de uma maioria desproporcional de mulheres (elas representavam 83% de todos os bibliotecários) e, embora o assédio sexual possa acontecer com qualquer gênero, é frequentemente perpetrado contra mulheres. Como diz Kelly Jensen, uma editora contribuinte para a Book Riot e bibliotecária pública: “Quando você trabalha na posição de atendimento ao público, ser mulher é uma desvantagem.” As mulheres não brancas e as pessoas LGBT+ sofrem assédio em taxas particularmente altas. Junte a isso o entusiasmo de todos os bibliotecários (independentemente do gênero) para ajudar e não é difícil ver como a linha entre ter acesso a informações e ter acesso à bibliotecária fornecendo essas informações para você é tênue na mente de algumas pessoas. Às vezes, parece que os homens veem as bibliotecárias como as secretárias da era “Mad Men” que eles nunca tiveram.

A gestão de bibliotecas varia amplamente quando se trata de implementar políticas para lidar com essas situações. A American Library Association não fornece diretrizes ou recursos para lidar com o assédio sexual, seja de usuários ou colegas. Sem essa orientação, cabe às bibliotecas criar políticas individuais para lidar com o assédio de usuários.

Em qualquer cenário de assédio sexual no local de trabalho, não é suficiente apenas conscientizar os funcionários sobre as políticas que os protegem. A gerência também tem de apoiar essas políticas, tomando medidas quando for necessário. Isso nem sempre acontece. Descobri isso em primeira mão quando fui denunciar para meu chefe os constantes assédios por parte de um usuário. Quando relatei esse recente caso de comportamento inadequado, meu chefe perguntou: “Bem, quantos anos ele tem? É possível que você esteja apenas…” Meu chefe se afastou, parecendo implicar que eu estava simplesmente exagerando sobre um homem mais velho que não tinha consciência que estava sendo inapropriado.

Na minha experiência e na experiência de muitas outras bibliotecárias que conheço, a administração geralmente reluta em abordar o problema do assédio sexual – especialmente se for verbal e não físico – pelo medo de gerar repercussões negativas em relação à biblioteca. As bibliotecas públicas necessitam que o público as valorize; quando uma biblioteca de bairro está à beira de ser fechada, muitas vezes os usuários (talvez até os usuários que se envolveram em assédio) se reúnem para nos manter abertas. São cidadãos que aprovam e pagam impostos que mantêm as bibliotecas em atividade. Eu entendo isso. É por isso que passei tantos anos engolindo sapos em relação a comentários sobre como eu realmente pareceria a “bibliotecária sexy” se eu usasse óculos.

Sem padrões formalizados e uma gestão pró-ativa, os bibliotecários fazem o que as pessoas vulneráveis ao assédio sempre fizeram. Nós sussurramos, nós avisamos. Impedimos o usuário que tem a intenção de perseguir a bibliotecária vá até a sala reservada aos funcionários. Se tivermos a sorte de nos depararmos com isso a tempo. Se outros funcionários da biblioteca estiverem presentes naquele momento. Se ele puder ser impedido.

Os bons bibliotecários são alquimistas que transformam as bibliotecas de um edifício com livros e computadores em um vibrante centro de informações e exploração. As bibliotecas precisam dessas pessoas apaixonadas e dedicadas que querem que ela continue existindo. E chegou a hora da American Library Association reconhecer e abordar a realidade do assédio sexual nas bibliotecas. Chegou a hora da gestão de bibliotecas e dos governos das cidades e dos estados aos quais estão afiliadas defenderem inequivocamente o direito das bibliotecárias de atenderem ao público livres de assédio sexual, físico ou verbal. As bibliotecárias apoiam nossas comunidades e é hora de exigir o apoio a elas em troca. Nosso #TimesUp está atrasado.

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iaravps
21 days ago
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Com dois acordos de cooperação, Faperj retoma investimentos em programas de C&T

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O presidente da Fundação, Ricardo Vieiralves de Castro, destacou a ação da comunidade científica junto ao governo. Para o presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, é importante manter a mobilização e continuar lutando para garantir a continuidade dos recursos. (Foto: Faperj)

O presidente da Fundação, Ricardo Vieiralves de Castro, destacou a ação da comunidade científica junto ao governo. Para o presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, é importante manter a mobilização e continuar lutando para garantir a continuidade dos recursos. (Foto: Faperj)

Após dois anos agonizando em meio a crises orçamentárias e bloqueio de recursos de caixa do governo, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) retoma sua capacidade de investimento com a assinatura de dois acordos de cooperação para repasse de recursos. Em sessão solene nesta quarta-feira, 31, o ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, e o governador Luiz Fernando Pezão firmaram um acordo que prevê o financiamento de projetos contemplados no Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), nos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) e nos centros multiusuários – um montante de cerca de R$ 166 milhões.

Os recursos serão repassados entre 2018 e 2022 por meio de linhas de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Os 19 INCTs do Rio de Janeiro deverão receber R$ 100 milhões, enquanto que aos cinco centros nacionais de equipamentos multiusuários – na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), PUC-RJ, Inmetro e no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) – serão destinados R$ 25 milhões. Já para a implementação do Pronex estão previstos R$ 24 milhões nos próximos três anos.

Segundo o presidente da Faperj, Ricardo Vieiralves de Castro, a assinatura dos acordos foi um ato simbólico de comprometimento por parte do governo para a retomada da fundação carioca e sua capacidade de investimento. “Isso ressuscita os nossos laboratórios que estavam morrendo, agonizando”, diz. O próximo passo, segundo ele, é estabelecer com o governo um cronograma de ajuste de passivos que remontam a 2015.

“Com exceção das bolsas, a Faperj deixou de pagar todos os auxílios desde 2015. Agora o pagamento das bolsas foi regularizado e não haverá mais atrasos. O ajuste dos passivos já começa nesse mês e a expectativa é que a Faperj feche o ano sem débitos”, conta o presidente da Fundação.

Vieiralves destaca que os acordos de cooperação são resultado de ações da comunidade científica junto ao governo que, por sua vez, teve sensibilidade para perceber que o investimento em C&T é vital para o desenvolvimento de um estado como o Rio de Janeiro. “Houve demonstração de unidade política da comunidade, que foi muito firme na cobrança do investimento e isso resultou no governo confirmando que cumprirá os dispositivos constitucionais e honrará o orçamento e a retomada da Faperj”.

Em seu discurso na solenidade, o governador do Rio de Janeiro, Pezão, pediu desculpas aos pesquisadores pela crise provocada pelo atraso nos pagamentos. Já o ministro Gilberto Kassab, reiterou que o investimento em pesquisa e ciência é fundamental e ressaltou que, embora a situação ainda seja “difícil”, os restos a pagar do Ministério foram pagos.

O presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, que também esteve presente à cerimônia, ressalta que o importante agora é que toda a comunidade científica continue mobilizada pela continuidade dos recursos e para que todas as pendências anteriores sejam pagas.

“A SBPC e todas as entidades científicas presentes estão esperançosas, mas não com uma atitude de esperar que as coisas aconteçam por si mesmas. Vamos continuar lutando para que, de fato, a Faperj tenha recursos para apoiar os programas existentes e apoiar novas iniciativas. Temos esperança, mas estamos alerta”, declarou.

Resiliência

Durante a solenidade, também foram entregues termos de outorgas relativos aos editais Cientistas do Nosso Estado (CNE), Jovens Cientistas do Nosso Estado (JCNE) e de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT). Foram contemplados 531 pesquisadores: 348 do CNE, 164 do JCNE e 19 dos INCTs. Os editais financiam bolsas por até 36 meses.

A professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Elizabeth Macedo, representou os pesquisadores do programa Cientista do Nosso Estado e, em seu discurso, lembrou a resiliência dos pesquisadores cariocas diante desses anos críticos. “Vimos sobrevivendo, e sobrevivemos a 2017 – e, no Rio de Janeiro, sabemos o que isso quer dizer -, contando com a engenhosidade e, por que não, com a teimosia de nossos pesquisadores. Em todas as Universidades do Estado alguém terá uma história de superação a contar”.

A retomada da Faperj, segundo ela, reacende a esperança desses pesquisadores. Mas, conforme destacou, toda a comunidade científica do País continua preocupada com a redução do financiamento para CT&I no País. A pesar de ser um dia de festejar, disse ela, é importante não esquecer que o orçamento federal para a área em 2018 teve um corte de 19% em relação a 2017.

“Esse corte vai nos cobrar, em futuro breve, um preço muito alto em termos econômicos mas, principalmente no que tange às vidas humanas e às condições em que essas podem existir. Temos responsabilidade e não podemos renunciar a ela, mesmo em dia de festa”, afirmou.

Confira aqui o discurso na íntegra da professora Elisabeth Macedo na cerimônia.

 

Daniela Klebis – Jornal da Ciência

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iaravps
22 days ago
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Repórter iniciante foi a primeira jornalista a entrevistar Drummond

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O poeta Carlos Drummond de Andrade completaria 75 anos em 31 de outubro de 1977. Natural que parte da imprensa preparasse reportagens para celebrar a data redonda. Só havia a certeza que ninguém o entrevistaria. O poeta não abria sua casa e intimidade nem aos amigos próximos, o que dirá a jornalistas. Nunca dera uma entrevista à imprensa. Neste ano, porém – e até hoje não se sabe bem por quê -, Drummond aceitou receber uma repórter iniciante em seu apartamento na zona sul do Rio.

A protagonista da façanha foi Nanete Neves, então com 24 anos, jornalista recém-formada. Ela trabalhava em um jornal paulistano chamado Shopping News. O editor resolveu enviar um repórter à capital fluminense para uma reportagem especial. A missão, porém, não era falar com o poeta, mas com as pessoas que o cercavam.

Houve um sorteio entre 10 jornalistas para decidir quem iria ao Rio, e Nanete ganhou. Ela sabia quem era Drummond mas não tinha intimidade alguma com sua obra. Alguém da redação lhe passou o telefone do jornalista e escritor José Louzeiro (que morreu recentemente, em 29 de dezembro de 2017), amigo do poeta. Nanete ligou a Louzeiro, e recebeu uma tempestade de água fria: “Falar com o Drummond é impossível, nem pense nisso! Mas venha direto do aeroporto para cá e vejo como poderei te ajudar”.

No dia seguinte, a repórter fez o combinado. Louzeiro lhe passou contatos de amigos que poderiam falar sobre a obra do autor de No Meio do Caminho: Ferreira Gullar, Nélida Piñon, Antonio Callado, Affonso Romano de San’Anna, Antônio Houaiss e Pedro Nava. Ele voltou a destacar que falar diretamente com o escritor era uma missão inglória. Contou que costumava atender o telefone com voz de mulher, mesmo que fossem amigos íntimos do outro lado da linha, para não ser importunado.

Nanete conseguiu entrevistar todas as personalidades, e com algumas mais, nos quatro dias em que passou na cidade. Almoçou com Houaiss no Rio Minho, o segundo restaurante mais antigo do Brasil ainda em funcionamento. O preparo do peixe servido foi supervisionado pessoalmente pelo intelectual – ela descobriu depois que Houaiss também gostava de se aventurar pela cozinha. De Nélida Piñon ouviu o conselho valioso: “Ele não gosta que o chamem de Drummond, nem de poeta, nem de doutor. Prefere ser tratado simplesmente como Carlos”.

Na casa de Carlos
Nanete decidiu ir ao prédio de Drummond, na rua Conselheiro Lafaiete, 60, entre os bairros de Copacabana e Ipanema. Pensou em deixar algumas perguntas que acabara de fazer na portaria do prédio. Ao espiar para dentro do edifício, viu que o porteiro não estava em seu posto. “Aí veio aquele arroubo de ousadia da juventude”, conta.

Sem pensar muito, entrou no elevador e subiu direto ao sétimo andar. A porta pantográfica do elevador, porém, tinha um cadeado no andar do escritor. Ela tocou a campainha com dificuldade, e a empregada doméstica abriu a porta. Drummond estava ao fundo. Deixou o bilhete com a mulher que a atendeu, deu seu melhor sorriso e se despediu. Estava anotado que ligaria em 20 minutos para saber sua posição em relação à entrevista.

Rodeou o telefone público pelas duas dezenas de minutos. Quando enfim ligou, surpresa: o poeta – que atendeu com voz de homem – disse que lera a mensagem e que toparia dar a entrevista no dia seguinte, às 11h. “Aí eu fiz o que qualquer mulher faz quando está muito feliz ou abalada emocionalmente: comprei uma sandália nova”, lembra Nanete.

No dia seguinte, estreou a sandália azul-marinho no apartamento de Drummond, que estava com sua mulher e a empregada. Sentaram-se num sofá e passaram 45 minutos papeando sobre vários temas, como crianças, a sua irritação com professores que mandavam seus alunos para tentar entrevistá-lo com máquinas fotográficas e gravadores (“O esforço não é deles, mas sim do gravador”) e sobre não gostar de viajar. “Gosto da minha casa, do meu cafezinho, do meu canto”, contou Drummond. Só um assunto não entrou em pauta: literatura. “Ele odiava discutir literatura, de falar do próprio trabalho ou do trabalho dos outros”.

Nada foi gravado. Ao fim da conversa, Nanete perguntou: “Posso escrever sobre tudo o que conversamos?”. “Isso seria importante para você?”, retrucou o escritor. “Seria, muito”, respondeu Nanete. Drummond então concordou, mas deu uma condição: quando a entrevista fosse publicada, ela voltasse para mostrar o resultado.

A reportagem da Shopping News foi o grande sucesso da imprensa paulistana do fim de 1977. Depois, ela fez um novo perfil sobre Drummond para a revista Nova. A publicação feminina, com uma leve cara de pau, grafou na capa: “Maior poeta brasileiro numa rara entrevista que Nova conseguiu”.

Durante aquela viagem ao Rio nasceu uma amizade entre ela e o poeta, com direito a troca de cartas e de telefonemas, até a morte de Drummond, em 1987. “Ele gostava de me ligar em datas comemorativas, como Natal, Dia das Mães e aniversários”, lembra.

Nanete4

Nanete lançou em 2015 o livro O Poeta e A Foca (Pasatempo), sobre o episódio. A edição logo se esgotou e agora só está disponível em audiolivro. Hoje, é escritora e ministra cursos de escrita literária. Além de O Poeta e a Foca, escreveu outras obras. A mais recente é a novela De Âmbar e Trigo (Alink Editora), de 2016.

No início da entrevista, Drummond perguntou: “Você veio ao Rio só para falar comigo?”. Ao receber a resposta positiva, emendou: “Mas que bobagem desse jornal”.

Por Bruno Hoffmann







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iaravps
24 days ago
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"costumava atender o telefone com voz de mulher, mesmo que fossem amigos íntimos do outro lado da linha, para não ser importunado" Me identifiquei com Drummond, rs
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