Curiosity-driven.
500 stories
·
2 followers

Após quase dois anos, CCT se reúne e entidades pedem fim de contingenciamentos

1 Share
A reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia foi realizada nessa quarta-feira, 1º de agosto, no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

A reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia foi realizada nessa quarta-feira, 1º de agosto, no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Atendendo a pedidos reiterados da comunidade científica, o presidente da República, Michel Temer, convocou reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), que não se reunia desde o final de 2016.  Na reunião, realizada nessa quarta-feira, 1º de agosto, no Palácio do Planalto, em Brasília, representantes das entidades científicas foram enfáticos ao criticar os cortes de recursos destinados à CT&I e educação. Eles reafirmaram que os artigos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que garantem a não diminuição dos recursos para educação e saúde no orçamento de 2019, não devem ser vetados. Insistiram também na importância de não serem contingenciados, como vem ocorrendo, os recursos do FNDCT.

A reunião, presidida por Temer, foi conduzida pelo ministro Gilberto Kassab e teve as falas do secretário executivo do MCTIC, Elton Zacarias, do secretário de políticas e programas de pesquisa e desenvolvimento do MCTIC, Alvaro Prata, do presidente do CNPq, Mario Neto Borges, do presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Luiz Davidovich, do presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, da presidente do Confap, Maria Zaira Turchi, da presidente do Consecti, Francilene Garcia, do diretor-geral do CNEPM, Antonio José Roque e do presidente da Telebras, Jarbas Valente.Os representantes da comunidade científica enfatizaram a importância das reuniões do CCT e a necessidade de que sejam convocadas com maior frequência.

Também foram convidados para a reunião, além dos membros do CCT, outros membros do Conselho Consultivo do MCTIC (como a presidente da honra da SBPC, Helena Nader) e dirigentes de institutos de pesquisa, organizações sociais, agências, empresas e do MCTIC, além do presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luiz Antonio Moreno – que se pronunciou por vídeo e foi representado na ocasião por Hugo Flórez Timorán.

Os representantes da ABC e SBPC, Luiz Davidovich e Ildeu Moreira, reiteraram os termos da carta enviada à Presidência da República há duas semanas defendendo que os artigos da LDO para 2019, aprovado no Congresso Nacional no dia 12 de julho, e que garantem um fluxo não decrescente de recursos para os setores de Educação e Saúde, não sejam vetados. Eles também reforçaram a solicitação de que os recursos arrecadados para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) não sejam desviados para a Reserva de Contingência no Orçamento de 2019. Davidovich manifestou a preocupação da ABC com a situação de sucateamento de laboratórios e com a evasão de jovens pesquisadores brasileiros. Moreira, por sua vez, enfatizou que os recursos para o CNPq e a Capes, agências fundamentais para a ciência brasileira, devem ser preservados e recuperados.

O presidente da SBPC falou também sobre a necessidade premente de se melhorar a qualidade da educação básica no País, em particular a formação científica dos jovens. Defendeu a necessidade de que a proposta da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio seja rediscutida com os diversos setores envolvidos, em particular com as sociedades científicas e educacionais, assim como é necessária uma reavaliação da Lei da Reforma do Ensino Médio. “A educação científica básica é fundamental e a proposta BNCC do EM está ruim e precisa ser rediscutida, assim como precisa haver uma discussão mais ampla e profunda sobre a reestruturação do Ensino Médio e de suas consequências”, salientou Moreira.

As presidentes do Confap e do Consecti, Maria Turchi e Francilene Garcia, ressaltaram a importância da continuidade dos recursos para as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) e as Secretarias Estaduais de Ciência e Tecnologia, cada vez mais gravemente ameaçadas pelos cortes orçamentários na área. “O Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia inclui, além das agências federais, as agências estaduais que têm o papel importantíssimo de financiar as pesquisas, mas também de trazer para o cenário nacional as potencialidades dos estados e corrigir as assimetrias regionais”, afirmou Turchi.

Conforme acrescentou Garcia, a queda do orçamento da União desencadeou a redução de investimentos dos estados em CT&I. “Essa reação em cadeia acaba desfavorecendo o País de maneira muito drástica. E sabemos que a descontinuidade de recursos nessas áreas não é recuperada de imediato”, declarou Garcia ao Jornal da Ciência.

Ela destacou também a importância da implementação do Marco Legal da CT&I, cujo decreto de regulamentação foi publicado em fevereiro. Conforme observou, um dos pilares importantes desse processo é a adequação dos estados à nova legislação.

Segundo a presidente do Consecti, a reunião mostrou à Presidência da República o quanto as entidades representativas da comunidade científica, o conjunto das entidades que representam os setores industriais e o próprio MCTIC, estão alinhados. “Essa mensagem uníssona foi levada ao presidente da República e autoridades presentes”, pontuou.

Já o diretor-geral do CNPEM, Antonio Roque, contou que o projeto Sirius, do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), está avançando, mas que para que tenha o impacto devido no desenvolvimento científico do País, e para que seu potencial seja utilizado ao máximo, é importante que os grupos de pesquisa nacionais, bem como os laboratórios e toda a infraestrutura envolvida, recebam o apoio adequado para operarem e terem condições de utilizar o acelerador em seus projetos.

Os representantes da comunidade científica citaram também, na reunião, a importância de recursos para a infraestrutura e para a formação e manutenção de recursos humanos, e particularmente a necessidade da recuperação do contingente de pesquisadores dos institutos de pesquisa.

“Não é possível fazer ciência sem recursos financeiros adequados, sem que seja esta a estratégia principal do País. Nesse momento precisamos reiterar que o investimento em ciência, tecnologia e inovação é indispensável para que o País se desenvolva em sua plenitude”, disse ao Jornal da Ciência Maria Zaira Turchi.

A reunião do CCT foi encerrada com a assinatura do convênio entre o Governo Federal e o BID, para a primeira operação de US$ 703,6 milhões para o programa “Inovar para Crescer”, que será executado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Do montante total da operação inicial, o BID financiará US$ 600 milhões e a Finep entrará com US$ 103,6 milhões.Os representantes da comunidade científica ressaltaram a importância dessa iniciativa, mas destacaram que, se não houver recursos para infraestrutura das universidades e grupos de pesquisa, além de recursos humanos adequados, ela pode ter baixo impacto.

Almoço

Após a reunião do CCT, no almoço com os participantes da reunião do CCT, os representantes da comunidade científica tiveram a oportunidade de falar novamente com o Presidente da República e insistiram na importância de serem revertidos os cortes de recursos para CT&I. Eles insistiram com Temer sobre a necessidade de eliminar a reserva de contingência do FNDCT no Orçamento para 2019, dado que os níveis extremamente baixos dos recursos nos últimos dois anos já provocaram prejuízos graves para o setor de ciência e educação e cortes mais profundos podem acarretar danos irreversíveis.O ministro Gilberto Kassab também mencionou que está em trâmite um projeto de lei pelo não contingenciamento de todos os fundos, que valeria a partir de 2020. O projeto é apoiado pelas entidades científicas e pelo MCTIC, no entanto, segundo ressaltou Kassab, é importante o apoio mais geral do governo a ele.

Além das questões dos recursos, Moreira reivindicou, apoiado pelos outros representantes da comunidade científica, a revogação do decreto que regulamentou a Lei de Acesso à Biodiversidade e Conhecimentos Tradicionais (Lei 13.123/2015) e que tem gerado muitos entraves às pesquisas – decisão que cabe somente ao Executivo. O presidente se mostrou disposto a atender à solicitação e solicitou ao Ministro Kassab que desse andamento à elaboração de uma nova proposta de regulamentação, mais de acordo com as demandas da comunidade científica no sentido de reduzir as burocracias e facilitar a pesquisa científica.

Na ocasião, Davidovich entregou a Temer o documento da ABC, “Projeto de Ciência para o Brasil”, com propostas para o fortalecimento de políticas públicas e setores estratégicos para o desenvolvimento nacional e que está sendo entregue aos presidenciáveis. Moreira entregou o caderno da SBPC “Políticas Públicas para o Brasil que Queremos” e o “Manifesto SBPC em defesa da CT&I, da Educação, do Desenvolvimento Sustentável e da Democracia no País”, documentos que reúnem as principais demandas do setor de CT&I, educação, direitos humanos, comunicações e saúde a serem levadas aos candidatos das próximas eleições. Ele entregou também a moção da Assembleia Geral da SBPC sobre a Lei de Reforma do Ensino Médio, a BNCC do Ensino Médio e o cumprimento das metas do PNE.

 

Daniela Klebis – Jornal da Ciência

The post Após quase dois anos, CCT se reúne e entidades pedem fim de contingenciamentos appeared first on Jornal da Ciência.

Read the whole story
iaravps
13 days ago
reply
Rio de Janeiro, Brasil
Share this story
Delete

Como olhar e monitorar campanhas eleitorais na era da Big Data

1 Share

A capacidade de realizar eleições livres e justas enfrenta um risco novo e imediato, especialmente em situações eleitorais polarizadas. As próximas eleições na região são uma oportunidade para explorar pilotos que vigiem os novos fenômenos digitais e colocar a América Latina na vanguarda, harmonizando tecnologia, democracia e cidadania, escreve Renata Ávila (Ciudadano Inteligente).

Os pilares de uma eleição livre e justa são transparência, igualdade e honestidade nas campanhas eleitorais, além de acesso a informações oportunas, que permitam aos eleitores tomar uma decisão embasada no momento do voto e realizar uma fiscalização cidadã constante, não apenas nos períodos eleitorais.

Esses pilares estão moldados na Carta Democrática da Organização dos Estados Americanos e são um guia tanto para entidades de controle de eleições como para observadores dos processos eleitorais.

A observação eleitoral deve abranger os elementos digitais dos processos atuais (Cancillería del PerúCC BY-SA 2.0)

Entretanto, a normativa e a prática dessas instituições está perdendo a eficácia em enfrentar os problemas das campanhas e processos eleitorais de hoje, especialmente no que se refere aos elementos digitais.

Com regras conservadoras e literais, redigidas à luz da mais pura tradição positivista, os desenvolvimentos tecnossociais acelerados estão deixando os fiscais e observadores de eleições com mais perguntas do que respostas, sem ferramentas para exercer sua função reguladora e fiscalizadora dos processos que garantem as eleições, e com vazios sancionatórios ante fenômenos alarmantes, que vão além de uma única plataforma (Facebook), causando impacto nos eleitores.

Nem notícias, nem pautas na rádio e televisão: isto é diferente

Contabilizar a campanha eleitoral física e prestar contas sobre ela já é uma tarefa difícil. Complicações de acesso geográfico, gastos ocultos e gastos informais contaminam as campanhas. As autoridades desenvolveram regras claras e precisas para os gastos eleitorais de ontem, assim como para evitar campanhas antecipadas, as quais funcionam mais ou menos bem.

A situação se complica consideravelmente quando a campanha e seus elementos são digitais, descentralizados e personalizados. Hoje, o desenvolvimento de uma campanha e um investimento maior — que garante resultados superiores com relação aos concorrentes — são ex ante. O partido ou candidato que pode pagar vai investir com antecedência em bases de dados e plataformas de marketing político sofisticadas, que vão lhe permitir usar as redes sociais de modo muito mais eficaz que seus concorrentes.

Geolocalização de mensagens, perfis de consumo por localização geográfica, perfis psicométricos que apresentam inclinação para certas promessas eleitorais, fatores de idade, classe, hábitos — todas essas informações podem ser adquiridas e transformadas em campanhas mais eficazes voltadas para os eleitores. E esses são gastos para os quais a obrigatoriedade de prestação de contas ainda é uma área nebulosa.

Uma modelagem de dados sofisticada realizada antes do lançamento e durante uma campanha eleitoral pode ser o fator definitivo para partidos em contextos políticos polarizados, quando uma variação de 1% pode fazer a diferença. Além disso, o problema se estende a aspectos relacionados ao comércio de dados pessoais e à privacidade.

Existe um abuso contínuo na coleta e na análise de big data dos eleitores latino-americanos. A pergunta é se devemos exigir uma coordenação entre as autoridades de proteção de dados (nos países onde elas existem), as Comissões de Direitos Humanos e as autoridades eleitorais para solicitar aos partidos políticos detalhes sobre todos os dados e infraestruturas digitais usados nas campanhas. É um requerimento que parece cada vez mais necessário para que as disputas eleitorais sejam justas.

Conexões em redes sociais podem influenciar o livre acesso a informações sobre o processo eleitoral (Chris MooreCC BY 2.0)

Informações desiguais sobre as campanhas

As novas tecnologias apresentam também um desafio para a transparência e o acesso livre às informações do processo eleitoral. Um número significativo de eleitores recebe as informações somente através de redes sociais, sem compreender o processo de filtragem e curadoria de conteúdo que estas executam automaticamente, sem que possa entender a lógica por trás de tal distribuição. Como medir ou testar se um algoritmo de uma rede social está privilegiando certo conteúdo ou candidato em detrimento de outro?

As plataformas de redes sociais são caixas pretas, com algoritmos complexos e protegidos por segredos industriais que regem seu comportamento. Elas não estão sujeitas às antigas regras éticas e eleitorais que se aplicam aos jornalistas e aos meios tradicionais de informação e comunicação. Por exemplo: não é possível garantir que elas não violem as proibições de distribuição de certos conteúdos antes da votação, uma restrição temporal à livre circulação de informações prevista em quase todas as legislações eleitorais latino-americanas.

Mediante a capacidade das redes sociais de oferecer mensagens segmentadas e dirigidas a certas audiências, os eleitores vão receber planos de governo e promessas eleitorais de forma personalizada. Isso é tão ou mais preocupante do que quando os espaços oferecidos aos partidos na rádio e na televisão não eram distribuídos igualmente? Quais são as implicações disso sobre o voto informado?

Da mesma forma, a parcialidade da mídia impressa, irradiada e televisionada e da cobertura dada a um candidato pode ser medida objetivamente, mas a distribuição e a preferência das notícias circuladas nas redes sociais é um problema ainda sem solução. Dois eleitores com perfis quase idênticos têm dietas midiáticas muito diferentes, duas pessoas muito diferentes fazem leituras muito diversas de situações políticas idênticas, como demonstrou o projeto Facebook Tracking Exposed a respeito das eleições na França. É possível haver um diálogo democrático se o conteúdo que recebemos sobre o que nos cerca está constantemente reafirmando nossas posturas e não temos acesso ao outro lado?

Eliminar votos, manipular eleitores a partir de campanhas externas e anônimas

Com relação à honestidade das eleições, há vários fenômenos importantes a considerar. A censura inversa, por meio de uma inundação de informações confusas nas redes e ataques realizados por bots políticos é um caso frequente no México que está se espalhando rapidamente por toda a região latino-americana.

Calcula-se que existem 48 milhões de bots no Twitter e muitos outros no Facebook, os quais enfraquecem vozes independentes essenciais, sufocam reclamações legítimas e praticamente fazem os partidos pequenos desaparecerem do mapa das redes sociais.

As mídias sociais podem ter efeitos positivos e negativos para a democracia (European ParliamentCC BY-NC-ND 2.0)

A prática regional mais simples e barata, tanto por parte do oficialismo como de partidos ou mesmo de grupos de pressão, é a dos “Net Centers“. Estes oferecem um serviço de pessoas que promovem campanhas políticas, defendem o governo da vez (como no caso da Guatemala) e ainda traçam campanhas de desprestígio nas redes sociais usando as táticas já descritas e amplificando mensagens, muitas vezes sem fundamento, sepultando, dessa forma, o discurso legítimo dos cidadãos sob uma avalanche de desinformação em troca de dinheiro.

“Gestão de imagem na rede” é o nome que se dá a isso. O problema central é como atacar esses problemas emergentes e ao mesmo tempo respeitar o direito ao anonimato, a liberdade de expressão e a proibição da censura prévia, o que, combinado com a pouca prestação de contas por parte das empresas privadas, transforma essas organizações em fortalezas impenetráveis.

Além disso, a questão da interferência de poderes paralelos ou de outros governos em uma eleição muito polarizada pode ser resolvida em total opacidade por qualquer um que possa pagar por isso ou que tenha acesso aos dados pessoais dos eleitores. O acesso que organizações como a Agência de Segurança Nacional (NSA) têm a dados confidenciais por meio do programa PRISM, revelado por Edward Snowden, combinado à estreita colaboração que empresas como Facebook e Twitter desenvolvem com o Departamento de Estado e o Departamento de Defensa, possibilitaria novas interferências na democracia de maneira quase imperceptível.

Mas, com o baixo nível da cibersegurança das próprias autoridades de dados, que a cada ano filtra milhões de dados de eleitores, combinada com a indústria de data brokers que já existe, não é remota a possibilidade de que cartéis ou grupos paralelos possam se favorecer de tais técnicas de manipulação e predição de coletivos. Frente a esse panorama, as revelações sobre as ações da Cambridge Analytica perdem relevância. Como proteger, então, os processos essenciais para a democracia?

Uma nova era de observação eleitoral, novos mecanismos de participação democrática

A capacidade de realizar eleições livres e justas enfrenta um risco novo e imediato, que não é exclusivo da região. Essa ameaça ocorre em situações eleitorais polarizadas. E existem dois caminhos a seguir: ou não se faz nada, e corre-se o risco de deflagrar uma crise que vai enfraquecer a confiança e a credibilidade dos processos eleitorais, ou tomam-se ações imediatas para adotar as melhores práticas sobre o tema.

As missões eleitorais próximas já não podem ignorar a necessária auditoria e vigilância das novas tecnologias nas eleições e não se pode restringir isso unicamente àquelas auditorias superficiais da transmissão de dados dos resultados eleitorais. Estamos perante fenômenos mais complexos cujos atores escapam às jurisdições nacionais. As plataformas controladas pelos gigantes tecnológicos baseados na Califórnia estão no centro da ação, sendo confrontadas quanto a aspectos que são essencialmente de interesse público nacional.

Propuesta: un laboratorio de estudio de prácticas electorales digitales

Este artigo deixa muitas perguntas sem resposta, mas, responder ao que foi levantado dispondo de poucos dados e pouca investigação sobre o assunto seria irresponsável e precipitado. Devemos observar esses fenômenos localmente e analisar criticamente, levando em conta os contextos políticos, sociais e culturais de nossos países.

As próximas eleições na região são uma oportunidade para isso — para explorar pilotos que vigiem os fenômenos descritos acima e colocar a América Latina na vanguarda, harmonizando tecnologia, democracia e cidadania, combinando as estruturas usuais de monitoramento e observação eleitoral.

Devemos desenvolver metodologias compartilhadas e identificar fenômenos repetidos ou não que usem as novas tecnologias combinadas a técnicas antigas com o objetivo de prejudicar os processos eleitorais.

Também podemos trabalhar em estreita colaboração com as autoridades eleitorais e os observatórios do voto, organizações que velam pelos direitos digitais e pela liberdade de expressão, privacidade e educação cívica para permitir a formulação de propostas fundamentadas e fazer frente a essas mudanças aceleradas.

Além disso, detectar e observar as novas práticas possibilitam testar diferentes medidas técnicas, de políticas públicas e de regras eleitorais e de privacidade que contribuirão para defender e promover os direitos dos cidadãos. Unamos forças.

Para participar deste laboratório, escreva para: elecciones@digitalcolonialism.org

Notas:
• As ideias expressas neste artigo são dos autores e não refletem a posição do Centro ou da LSE
• Este artigo apareceu pela primeira vez em AntiVigilancia
• Por favor, leia nossas Políticas de Uso (EN) antes de fazer comentários


Renata Ávila – Ciudadano Inteligente
Renata Ávila, da Guatemala, atua como advogada internacional, especializada em tecnologia, dados e direitos humanos. É diretora executiva da Ciudadano Inteligente, uma ONG que busca fortalecer a democracia e reduzir a desigualdade na América Latina, promovendo a transparência e a participação cidadã por meio do uso inovador das tecnologias da informação.

Read the whole story
iaravps
13 days ago
reply
Rio de Janeiro, Brasil
Share this story
Delete

Volta de negociação em torno da base de Alcântara preocupa quilombolas

1 Share

Participantes da mesa-redonda “A base de lançamento de Alcântara e o direito das comunidades remanescentes de quilombo” afirmaram que é preciso decidir primeiro o futuro dessas famílias para depois seguir o projeto

Com a retomada de negociações entre os Estados Unidos e o Brasil para usar a base de foguetes de Alcântara, no Maranhão, com objetivo de impulsionar o programa brasileiro e permitir lançamentos estrangeiros, surgiram novas incertezas para as famílias de quilombolas que tiveram que ser transferidos da área de segurança da base para sete vilarejos construídos pelo Ministério da Aeronáutica, há 38 anos. Para os participantes da mesa-redonda “A base de lançamento de Alcântara e o direito das comunidades remanescentes de quilombo”, é preciso decidir o destino dessas dezenas de famílias que foram deslocadas, a 40 quilômetros da antiga residência, para depois seguirem no projeto. A discussão aconteceu ontem (23), durante a 70ª Reunião Anual da SBPC, no campus da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Maceió (AL).

Para tornar viável economicamente o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), o governo deve ampliar de 8,7 mil hectares para 20 mil hectares a área destinada à construção de um corredor de lançamentos de foguetes e equipamentos espaciais.

Segundo os participantes, até hoje, o que foi prometido não foi cumprido. Dentre as promessas, está o título de posse das terras por parte do Governo Federal para onde as famílias foram remanejadas.

“Essas pessoas vivem em uma expectativa que nunca chega. É preciso existir um comitê para resolver o problema dessas pessoas. E só ai decidirem o que fazer. Mas é preciso resolver para não deixar que esse sofrimento vá ao limite”, disse o coordenador da mesa, Alfredo Wagner B. de Almeida, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Leonardo dos Anjos, quilombola e representante do Movimento dos Afetados pela Base de Alcântara (Mabe), afirma que as pessoas estão sofrendo com essas incertezas. “Muitas pessoas não constroem suas casas de alvenaria porque não sabem o que vai acontecer no futuro. Se serão deslocados novamente”, disse. Segundo contou, o caso está em debate em uma câmara de conciliação, sem previsão de conclusão. Se aprovados, os planos de expansão podem dobrar o tamanho da base, que atualmente tem cerca de 8,5 mil hectares.

Mesmo assim, Anjos disse que os quilombolas não vão aceitar o avanço. “Não vamos abrir mão desses hectares, porque a gente já está produzindo muito menos que antes, e é o mínimo para sobreviver”, disse ao lembrar que já são 38 anos de incertezas e sofrimentos.

O representante do Mabe criticou ainda a falta de investimentos do País no Centro de Lançamento de Alcântara, que nunca mandou um só satélite ao espaço. “Enquanto a Rússia já enviou vários foguetes ao espaço, o Brasil quer vender nossas terras”, lamenta. Para ele, se o Brasil quer ganhar dinheiro com a base, precisa investir nela, fazê-la funcionar.

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, que é maranhense, citou que o debate é importante e que a decisão para o futuro dos quilombolas é urgente. Ele também afirmou que o remanejamento das famílias é desnecessário. “Em outros países ninguém foi deslocado. Na China, por exemplo, quando há um lançamento, o governo manda ônibus para retirar as pessoas daquela região para evitar acidentes”, contou.

Patrícia Maria Portela Nunes, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), disse que nesses 38 anos o projeto do CLA foi mudado várias vezes. Pactos foram feitos, mas os compromissos realizados com as comunidades têm sido quebrados.

Outra questão a ser resolvida é o acesso e conhecimento sobre os lançamentos a serem feitos na base, como levantou o pesquisador da Ufam. “O que está em jogo é a soberania do País, e este assunto vai de encontro ao tema do evento que é Ciência, Responsabilidade Social e Soberania”.

 

Vivian Costa – Jornal da Ciência

The post Volta de negociação em torno da base de Alcântara preocupa quilombolas appeared first on Jornal da Ciência.

Read the whole story
iaravps
23 days ago
reply
Rio de Janeiro, Brasil
Share this story
Delete

THE TOWN WITH NO NAME // a short story about driving through an...

1 Share


THE TOWN WITH NO NAME // a short story about driving through an unnamed town full of strange people

You can also read my stories on Facebook, Twitter and Instagram

Read the whole story
iaravps
24 days ago
reply
Rio de Janeiro, Brasil
Share this story
Delete

#sfDORA Interviews: Research Evaluation and Funding Decisions

1 Share

In celebration of DORA’s fifth anniversary, we are hosting a four-part interview series that focuses on the implementation of good practices in research assessment across the world.

We are pleased to announce our second interview is with Dr. Shahid Jameel, Chief Executive Officer of the Wellcome Trust/DBT India Alliance. He will answer questions about his experience with research evaluation in the life sciences and about making funding decisions at the India Alliance. Participants will have an opportunity to ask questions at the end of the interview.


When: Friday August 3, 8:00 – 8:30AM EDT (12:00 – 12:30 UTC)
Register to Attend


The half-hour interview will take place as video conference on Zoom Meeting. There is no fee to participate, but we do ask that you register for the interview using the link above. Please contact (info@sfdora.org) with any questions.

The audio and summary blog post from our first interview about hiring junior faculty with Dr. Sandra Schmid, Cecil H. Green Distinguished Professor in Cellular and Molecular Biology and Chair of the Cell Biology Department at UT Southwestern Medical Center is available here.

Read the whole story
iaravps
25 days ago
reply
Rio de Janeiro, Brasil
Share this story
Delete

How to write an abstract for a paper

1 Comment

I’ve been teaching small workshops for my lab on how to do scientific writing. Doing these short, quick courses helps me provide them with insights on how I write my own papers, and how they can write their own papers (plus dissertations and theses). With these classes, I also create a shared knowledge base and approach to investigating a topic and presenting research. Yesterday, I realized that while I have written a ton of blog posts on research, I had not published any blog posts on abstracts nor conclusions. This and my next blog post try to make amends for these omissions.

Several suggestions I got off my Twitter request:

I hope these resources are helpful!

Read the whole story
iaravps
25 days ago
reply
#phdchat
Rio de Janeiro, Brasil
Share this story
Delete
Next Page of Stories